sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Preciso comprar uma bolsa

Pegar uma faca e rasgar tua cara no meio.
Depois, arrastar ela pelos cabelos e fazer o mesmo com ela.
É isso que eu faria se tivesse uma faca quando te visse com ela.
Só não faço porque não tenho bolsa pra esconder a faca.

domingo, 15 de novembro de 2009

Metade é menos que um inteiro.
1/4 é menos de 1/2.
1/8 menos que 1/4.
Tudo é menos que inteiro.
Nada é o que parece e a matemática não é exata.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ela estava de mau-humor quando acordou e eu acordei com ela aos berros.
Mais uma vez, não disse nada.
Mas cheguei à conclusão que, a cada vez que trepamos e eu gozo, junto do gozo vai embora um pouquinho da minha personalidade.
Logo a língua dela vai me fazer esquecer quem eu sou.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A banheira transbordando de espuma.
Velas acesas e ela despida.
- Vem cá, meu bem!
E puxou o espelho para mais perto de si.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

"A"

Antes de nascer o dia, barulho de folhas.
Folhas secas de outono, folhas de caderno.
Entreabri os olhos e a vi sentada ao pé da cama, ainda nua, como se acabasse de sair do banho.
Chovera toda a noite. Lá fora, água. No quarto, beijos.
Ela fechou a cortina e eu, os olhos.
Ela vestia a roupa tão rápido quanto eu minhas fantasias.
Nelas, como se escrevesse em nuvens, escrevia em suas coxas - tão macias quanto.
Um batom era a caneta. Vermelho, sempre.
E ao final, folhas e corpos riscados, fazia o desenho de um A. "Com Amor", terminava.
"A", o começo do alfabeto e o fim da carta, o fim da noite, o fim da chuva - aqui dentro e lá fora. Ela abria a cortina, eu não abria os olhos, e ela partia.
A cada segunda-feira, enquanto eu ouvia o barulho das folhas, ela escrevia.

sábado, 20 de setembro de 2008

Egoísmo

Tudo o que eu quero é cada ponto e cada pinta do teu corpo, cada gota do teu suor, cada pelo do teu sexo.
Quero você na minha cama, minha mesa, meu sofá e em cada degrau da escada.
E quero você no meio da rua, no taxi, no ponto de ônibus, nas salas de reunião, em cada banheiro de bar e cada garagem.
Te beijar o rosto, o pescoço, pernas e barriga. Quero teu peito, tuas costas, teus ombros e braços. Tuas mãos, tua nuca, tua boca.
Quero não saber se a língua é tua ou minha. Quero um dedo, dois dedos, e a língua.
Quero mandar e obedecer, puxar teus cabelos, morder. Te ter antes de dormir e quando acordar e te acordar no meio da noite com minha boca entre tuas pernas, teu gosto na minha boca, teu cheiro na minha roupa, na minha cama. No meu sexo, tua língua.
Quero o tempo todo pra ter você toda, só pra mim.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Concurso

Já estava nervosa por ser seu primeiro concurso público e, não bastasse isso, chegou em cima da hora. Subiu as escadas correndo em direção ao banheiro e encontrou uma fila enorme e uma garota bonita que chegou em seguida. Aliás, era bonita demais para esperar, então cedeu seu lugar.
Ao sair, como se estivessem à sós, a garota a abraçou e beijou na boca. Assustou-se mas, depois, era como se ninguém ao lado existisse ou estivesse fazendo barulho ou ameaçando vomitar sobre elas. Logo saíram como se nada tivesse acontecido ali.
Quando terminou a prova e pôs a mão no bolso em busca de algum trocado, não encontrou nada além de um bilhete com a letra B e o número 1512.
À noite, quando chegou em casa, procurou na lista telefônica todos os números possíveis e encaixou com o final 1512. Todas as tentativas foram vãs, mas tem esperança de descobrir quem é a garota bonita daqui alguns dias, na lista dos aprovados.