sábado, 20 de setembro de 2008

Egoísmo

Tudo o que eu quero é cada ponto e cada pinta do teu corpo, cada gota do teu suor, cada pelo do teu sexo.
Quero você na minha cama, minha mesa, meu sofá e em cada degrau da escada.
E quero você no meio da rua, no taxi, no ponto de ônibus, nas salas de reunião, em cada banheiro de bar e cada garagem.
Te beijar o rosto, o pescoço, pernas e barriga. Quero teu peito, tuas costas, teus ombros e braços. Tuas mãos, tua nuca, tua boca.
Quero não saber se a língua é tua ou minha. Quero um dedo, dois dedos, e a língua.
Quero mandar e obedecer, puxar teus cabelos, morder. Te ter antes de dormir e quando acordar e te acordar no meio da noite com minha boca entre tuas pernas, teu gosto na minha boca, teu cheiro na minha roupa, na minha cama. No meu sexo, tua língua.
Quero o tempo todo pra ter você toda, só pra mim.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Concurso

Já estava nervosa por ser seu primeiro concurso público e, não bastasse isso, chegou em cima da hora. Subiu as escadas correndo em direção ao banheiro e encontrou uma fila enorme e uma garota bonita que chegou em seguida. Aliás, era bonita demais para esperar, então cedeu seu lugar.
Ao sair, como se estivessem à sós, a garota a abraçou e beijou na boca. Assustou-se mas, depois, era como se ninguém ao lado existisse ou estivesse fazendo barulho ou ameaçando vomitar sobre elas. Logo saíram como se nada tivesse acontecido ali.
Quando terminou a prova e pôs a mão no bolso em busca de algum trocado, não encontrou nada além de um bilhete com a letra B e o número 1512.
À noite, quando chegou em casa, procurou na lista telefônica todos os números possíveis e encaixou com o final 1512. Todas as tentativas foram vãs, mas tem esperança de descobrir quem é a garota bonita daqui alguns dias, na lista dos aprovados.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A mão que mês passado eu passei na sua bunda, anteontem estava em seus cabelos e hoje esteve em seu rosto.
O que era desejo virou paixão e, depois, raiva.
Se são opostos e o carinho virou agressão, por que é que você não acredita que já fui homem?
Tudo muda, você sabe, é inevitável.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

De olhos fechados sorria
Recusava-se a abri-los
Temia perdê-la

Respirava fundo
Sentia o cheiro da pele
Do suor e do sexo

Tremeu ao ouvir as sirenes
Inspirou
Expirou

Ao criar coragem e abrir os olhos
Tarde demais
Já haviam levado o corpo ao IML

domingo, 27 de abril de 2008

Ainda ontem eu conheci uma menina muito atraente.
Logo que pus os olhos nela, o desejo tomou conta de mim.
Quis sussurrar em seus ouvidos, beijar sua mão, sua testa, morder sua boca e arranhar suas costas.
Mas já eram seis horas, então o despertador tocou.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Sal no café.
Biquini na nevasca.
Cavalo à gasolina.
Escreveu com borracha e apagou com lápis.
Rímel nos lábios, esmalte nos olhos e batom nas unhas.
Luva nos pés.
Pênis na vagina.

terça-feira, 18 de março de 2008

Os ponteiros marcavam onze da noite de quarta-feira quando atravessava uma rua escura da cidade.
Morena de olhos claros, muito atraente, chamava atenção por onde passasse.
Naquela noite, voltando para casa, ouviu passos. Com o canto dos olhos espiou atrás de si. Viu um vulto e não apressou o passo.
Respirava ofegante, o olhar longe, como se lembrasse de outras épocas, da infância, das bonecas.
O medo tomou conta dela, as mãos suavam.
Então sentiu alguém encostar em seu ombro. Como não virou para trás, foi cutucada ourta vez. Respirou fundo, parou e virou.
Viu um homem alto, magérrimo e de dentes tortos.
Olharam-se em silêncio alguns segundos. Ele, os olhos dela. Ela, lugar vago, esperando que lhe fizesse algo.
-Tem fogo?
-Não.
-Já passam de onze?
-Talvez. - disse ela boquiaberta.
Ele seguiu viagem e ela ficou parada ainda alguns instantes, decepcionada.
Já a algum tempo não tinha um encontro que a deixasse excitada.